{"id":105228,"date":"2019-05-03T10:00:12","date_gmt":"2019-05-03T13:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=105228"},"modified":"2019-05-02T21:45:39","modified_gmt":"2019-05-03T00:45:39","slug":"estudo-sugere-que-marca-de-15-600-anos-e-a-pegada-humana-mais-antiga-ja-encontrada-nas-americas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-sugere-que-marca-de-15-600-anos-e-a-pegada-humana-mais-antiga-ja-encontrada-nas-americas\/","title":{"rendered":"Estudo sugere que marca de 15.600 anos \u00e9 a pegada humana mais antiga j\u00e1 encontrada nas Am\u00e9ricas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pegada.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-105230\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pegada-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pegada-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pegada.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma suposta pegada humana descoberta por arque\u00f3logos no Chile foi datada de 15.600 anos, o que a coloca entre as marcas mais antigas j\u00e1 encontradas no Novo Mundo. \u00c9 uma descoberta intrigante que sugere um assentamento precoce na Am\u00e9rica do Sul pelos seres humanos, mas nem todos est\u00e3o convencidos com as novas evid\u00eancias.<\/p>\n<p>A pegada solit\u00e1ria foi descoberta em 2011 no s\u00edtio arqueol\u00f3gico de Pilauco, na cidade chilena de Osorno. Esse s\u00edtio foi submetido a escava\u00e7\u00f5es de 2007 a 2016, resultando na descoberta de v\u00e1rios ossos de animais, mat\u00e9ria vegetal, ferramentas de pedra simples e essa aparente pegada humana. A descoberta \u00e9 particularmente significativa devido \u00e0 escassez de pegadas antigas nas Am\u00e9ricas e por causa de um longo debate sobre o povoamento da Am\u00e9rica do Sul durante o fim do Pleistoceno. A nova <a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0213572\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pesquisa<\/a>, liderada pela paleont\u00f3loga Karen Moreno e pelo ge\u00f3logo Mario Pino, da Universidade Austral do Chile, foi publicada na semana passada no <em>PLOS One<\/em>.<\/p>\n<p>Outras pegadas significativas nas Am\u00e9ricas incluem trilhas de 14.600 anos no Monte Verde, nas proximidades do s\u00edtio arqueol\u00f3gico de Pilauco, e um par de trilhas no M\u00e9xico que remontam a 10.700 anos e 7.200 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>No ano passado, arque\u00f3logos descobriram <a href=\"https:\/\/gizmodo.com\/archaeologists-discover-29-human-footprints-from-the-la-1824147540\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">29 pegadas humanas<\/a> na costa da Ilha Calvert, na Col\u00fambia Brit\u00e2nica, datadas de 13 mil anos atr\u00e1s. As pegadas em Monte Verde s\u00e3o a mais antiga evid\u00eancia de presen\u00e7a humana na Am\u00e9rica do Sul, embora permane\u00e7am controversas.<\/p>\n<p>O fato de que uma pegada humana possa ter sido encontrada a cerca de 100 km de dist\u00e2ncia no s\u00edtio de Pilauco, datando aproximadamente da mesma \u00e9poca que as pegadas de Monte Verde, refor\u00e7a o argumento de que os seres humanos viveram na Am\u00e9rica do Sul nesse per\u00edodo. Por\u00e9m, com 15.600 anos de idade, ela representaria a marca mais antiga j\u00e1 encontrada nas Am\u00e9ricas. Isso \u00e9 obviamente algo muito importante.<\/p>\n<p>Para a an\u00e1lise, Moreno e Pino dataram por radiocarbono materiais vegetais org\u00e2nicos encontrados na mesma camada que a pegada solit\u00e1ria. Medi\u00e7\u00f5es feitas \u00e0 m\u00e3o, uma reconstru\u00e7\u00e3o de gesso e uma s\u00e9rie de imagens radiogr\u00e1ficas permitiram que os pesquisadores analisassem a marca com riqueza de detalhes. Eles estimaram que ela tenha sido feita por um homem descal\u00e7o pesando aproximadamente 70 kg. Devido \u00e0s suas dimens\u00f5es, forma e n\u00edvel de preserva\u00e7\u00e3o, a pegada de Pilauco \u201ccorresponde a uma marca do p\u00e9 direito de um ser humano adulto\u201d, e n\u00e3o de algum outro animal, como uma pregui\u00e7a-gigante, escreveram os autores no estudo.<\/p>\n<p>Como o artigo apontou, a marca foi atribu\u00edda \u00e0 icnosp\u00e9cie Hominipes modernus (com icnosp\u00e9cie descrevendo um f\u00f3ssil de tra\u00e7o distinto). Os pesquisadores acreditam que a marca foi feita por um Homo sapiens, j\u00e1 que nenhuma evid\u00eancia foi encontrada para sugerir que uma esp\u00e9cie humana al\u00e9m dela tenha chegado \u00e0s Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-278814\" src=\"https:\/\/gizmodo.uol.com.br\/wp-content\/blogs.dir\/8\/files\/2019\/04\/pegada-antiga-americas-2-571x745.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"834\" \/><\/p>\n<p><em>As pegadas experimentais. Imagem: K. Moreno et al., 2019<\/em><\/p>\n<p>Moreno e Pino tamb\u00e9m conduziram um experimento para testar diferentes cen\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o da pegada. A equipe extraiu amostras de solo de Pilauco, reidratando o sedimento com v\u00e1rias quantidades de \u00e1gua. Tr\u00eas pessoas, todas com propor\u00e7\u00f5es corporais consistentes com o suposto criador original da pegada, foram recrutadas para caminhar em um leito de teste contendo a mistura encharcada. Os \u201cresultados demonstram que um agente humano poderia facilmente gerar uma pegada equivalente \u00e0 estrutura sedimentar ao caminhar sobre um substrato saturado\u201d, escreveram os autores no estudo.<\/p>\n<p>Dito isso, os pesquisadores n\u00e3o entendem por que uma s\u00f3 pegada foi recuperada, e n\u00e3o uma trilha inteira. Eles citaram a mistura de sedimentos ao longo do tempo como uma causa prov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Mas Stuart Fiedel, arque\u00f3logo da empresa de consultoria Louis Berger Group, interpretou a nova pesquisa de forma diferente. Fiedel n\u00e3o acredita que as pegadas encontradas em Monte Verde, nem as de Pilauco, sejam pegadas humanas reais.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea comparar essas duas depress\u00f5es cheias, em forma de feij\u00e3o, com pegadas humanas antigas reais, voc\u00ea vai notar que a borda exterior das marcas reais \u00e9 sempre reta, e n\u00e3o curva acentuadamente para dentro do calcanhar aos p\u00e9s, como as marcas de Monte Verde e Pilauco\u201d, disse Fiedel ao Gizmodo. \u201cEssa diferen\u00e7a pode ser vista at\u00e9 mesmo nas pegadas produzidas experimentalmente mostradas no artigo.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ele afirmou que os autores parecem estar interpretando a protuber\u00e2ncia como uma marca deixada por um ded\u00e3o do p\u00e9. Mas essa \u201cn\u00e3o \u00e9 a morfologia normal dos dedos dos p\u00e9s humanos\u201d, disse ele. E nem os autores explicam convincentemente por que h\u00e1 um caro\u00e7o no meio da \u201csola\u201d, acrescentou Fiedel.<\/p>\n<p>As aparentes ferramentas de pedra encontradas perto das marcas, argumentou Fiedel, n\u00e3o s\u00e3o realmente ferramentas, mas \u201capenas pedras quebradas sem nenhuma evid\u00eancia de fabrica\u00e7\u00e3o humana de uso\u201d. Os ossos de animais, disse ele, s\u00e3o sem import\u00e2ncia, pois \u201cclaramente carca\u00e7as de animais se acumularam neste local\u201d cerca de 16.000 a 15.000 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Fiedel disse que acredita que a pegada pode ter sido feita por um peda\u00e7o de madeira em decomposi\u00e7\u00e3o e observou que havia peda\u00e7os de madeira de tamanho e forma semelhantes aos da pegada encontrados nas proximidades.<\/p>\n<p>Nicholas Felstead, da Universidade de Swansea, disse que o novo artigo era interessante, afirmando ao Gizmodo que as \u201cdatas de radiocarbono confi\u00e1veis obtidas pelos autores tornam essa descoberta bastante convincente\u201d. O trabalho, disse ele, fornece mais evid\u00eancias em apoio \u00e0 rota de migra\u00e7\u00e3o da costa do Pac\u00edfico. De fato, h\u00e1 um grande debate sobre quando os humanos povoaram pela primeira vez as Am\u00e9ricas, com as duas principais teorias sendo a hip\u00f3tese da rota da costa do Pac\u00edfico (tamb\u00e9m conhecida como a teoria pr\u00e9-Cl\u00f3vis) e a teoria de Cl\u00f3vis.<\/p>\n<p>\u201cArque\u00f3logos do lado da teoria de Cl\u00f3vis acreditam que os primeiros humanos, o povo Cl\u00f3vis, chegaram h\u00e1 cerca de 14 mil anos ao extremo norte, quando as camadas de gelo tinham recuado o suficiente para permitir a passagem a partir do Alasca para os estados do norte dos EUA\u201d, escreveu Felstead, que n\u00e3o esteve envolvido com o estudo, em um e-mail para o Gizmodo.<\/p>\n<p>\u201cO principal respaldo para essa teoria \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia s\u00f3lida para a exist\u00eancia de humanos pr\u00e9-Cl\u00f3vis nas Am\u00e9ricas. Ela se tornou o modelo padr\u00e3o de como e quando os humanos chegaram pela primeira vez \u00e0s Am\u00e9ricas.\u201d<\/p>\n<p>Entretanto, como Felstead apontou, outros arque\u00f3logos acreditam que os humanos viajaram pela costa do Pac\u00edfico das Am\u00e9ricas muito antes de 14.000 anos atr\u00e1s e muito mais r\u00e1pido. Monte Verde, no Chile, \u00e9 provavelmente o s\u00edtio arqueol\u00f3gico mais famoso relacionado \u00e0 rota da costa do Pac\u00edfico, com pegadas que remontam a cerca de 14.600 anos atr\u00e1s \u2014 mas essas pegadas s\u00e3o altamente controversas no debate, disse ele.<\/p>\n<p>\u201cEssas novas pegadas s\u00e3o significativas, pois fornecem mais evid\u00eancias s\u00f3lidas de humanos pr\u00e9-Cl\u00f3vis nas Am\u00e9ricas\u201d, disse Felstead. \u201cSe de fato humana, essa pegada fornece evid\u00eancias convincentes em apoio \u00e0 rota de migra\u00e7\u00e3o da costa do Pac\u00edfico\u201d, completou.<\/p>\n<p>Dada a grande alega\u00e7\u00e3o feita por Moreno e Pino e a ambiguidade tanto da pegada quanto da natureza dos artefatos encontrados no local, seria valioso ter uma segunda equipe de pesquisa examinando as evid\u00eancias dispon\u00edveis. At\u00e9 l\u00e1, o debate sobre quando os humanos se estabeleceram pela primeira vez na Am\u00e9rica do Sul continuar\u00e1 esquentando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma suposta pegada humana descoberta por arque\u00f3logos no Chile foi datada de 15.600 anos, o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":105230,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pegada.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pegada-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pegada-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pegada.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pegada.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pegada.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pegada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pegada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pegada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pegada.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma suposta pegada humana descoberta por arque\u00f3logos no Chile foi datada de 15.600 anos, o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105228"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105228"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105228\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/105230"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105228"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=105228"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105228"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}