{"id":1052,"date":"2014-06-09T11:18:32","date_gmt":"2014-06-09T11:18:32","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=1052"},"modified":"2014-06-09T11:18:32","modified_gmt":"2014-06-09T11:18:32","slug":"mata-atlantica-merece-atencao-por-ser-o-bioma-mais-ameacado-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mata-atlantica-merece-atencao-por-ser-o-bioma-mais-ameacado-do-pais\/","title":{"rendered":"Mata Atl\u00e2ntica merece aten\u00e7\u00e3o por ser o bioma mais amea\u00e7ado do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: x-small;\"><strong>Marcia Hirota* e Mario Mantovani*<\/strong><\/span><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/mata_atlantica_desmatamento.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-1053\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/mata_atlantica_desmatamento.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a><\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgaram no \u00faltimo dia 27 de maio, Dia Nacional da Mata Atl\u00e2ntica, os dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atl\u00e2ntica. O estudo monitora o bioma mais amea\u00e7ado do pa\u00eds h\u00e1 28 anos. Como bem noticiou a Gazeta do Povo, em manchete sob o t\u00edtulo \u201cMata Atl\u00e2ntica perdeu meia Curitiba em 2013\u201d, foram suprimidos um total 23,9 mil hectares de florestas, quase 24 mil campos de futebol.<\/p>\n<p>Em quarto lugar no ranking dos estados que mais desmataram a Mata Atl\u00e2ntica, o Paran\u00e1 teve uma perda de 2,1 mil hectares de vegeta\u00e7\u00e3o, aumento de 6% em rela\u00e7\u00e3o aos 2 mil hectares suprimidos no per\u00edodo anterior (2011-2012), que por sua vez j\u00e1 representava tamb\u00e9m um aumento de 50% em rela\u00e7\u00e3o aos \u00edndices de 2010-2011. Estamos, portanto, diante da retomada do desmatamento no Paran\u00e1, o que \u00e9 preocupante. Para Tarc\u00edsio Pinto, presidente do Instituto Ambiental do Paran\u00e1 (IAP), em resposta publicada na reportagem citada, os dados s\u00e3o contest\u00e1veis, pois o levantamento n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o a diferen\u00e7a entre desmates legais e ilegais. Sem apresentar evid\u00eancias, ele afirma acreditar que o desmatamento irregular chegue pr\u00f3ximo aos 20% dos 2,1 mil hectares indicados no estudo.<\/p>\n<p>O que fica da declara\u00e7\u00e3o do IAP, \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por autorizar cortes e fiscalizar a\u00e7\u00f5es irregulares no estado, \u00e9 a tentativa de relativizar a constata\u00e7\u00e3o de que o desmatamento no Paran\u00e1 continua a avan\u00e7ar sobre as \u00e1reas de Mata Atl\u00e2ntica. Importante ainda ressaltar que o desflorestamento foi registrado no Centro-Sul do estado, regi\u00e3o de ocorr\u00eancia das t\u00e3o amea\u00e7adas florestas de arauc\u00e1ria.<\/p>\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 o bioma predominante no Paran\u00e1, presente em 99% de sua \u00e1rea. Hoje, restam apenas 11,8% da vegeta\u00e7\u00e3o original \u2013 um pouco mais de 2,3 milh\u00f5es de hectares. Nos 28 anos de monitoramento do Atlas, registrou-se no Paran\u00e1 o desmatamento de mais de 453 mil hectares de florestas nativas, \u00e1rea equivalente a 10 cidades de Curitiba.<\/p>\n<p>O Paran\u00e1 j\u00e1 foi por duas vezes campe\u00e3o de desmatamento da Mata Atl\u00e2ntica \u2013 nos levantamentos de 1985-1990 e 1995-2000, e nesse \u00faltimo o estado levou tamb\u00e9m o recorde da maior extens\u00e3o cont\u00ednua desflorestada j\u00e1 registrada, uma \u00e1rea de 16 mil hectares nos munic\u00edpios de Rio Bonito do Igua\u00e7u e Nova Laranjeiras.<\/p>\n<p>Ressaltamos que o objetivo do Atlas \u00e9 o de diagnosticar e manter dados permanentemente atualizados sobre a situa\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, ato de presta\u00e7\u00e3o de contas para a sociedade e de colabora\u00e7\u00e3o para com os governos. \u00c9 do governo do estado o papel de fiscalizar e proteger os fragmentos que restam do bioma, remanescentes florestais respons\u00e1veis por servi\u00e7os ambientais vitais, j\u00e1 que sua destrui\u00e7\u00e3o reflete claramente na baixa qualidade de vida e bem-estar da popula\u00e7\u00e3o, no ar polu\u00eddo das cidades e no comprometimento da produ\u00e7\u00e3o e qualidade da \u00e1gua \u2013 ou at\u00e9 mesmo na falta dela.<\/p>\n<p>Diante disso, a retomada do desmatamento indicada pelo Atlas requer, ao menos, uma avalia\u00e7\u00e3o criteriosa e respostas precisas do poder p\u00fablico, sobretudo da institui\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel por proteger, preservar, conservar, controlar e recuperar o patrim\u00f4nio ambiental do estado do Paran\u00e1.<\/p>\n<p><strong>* Marcia Hirota \u00e9 diretora-executiva da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica e coordenadora do Atlas dos Remanescentes Florestais<\/strong><\/p>\n<p><strong>** Mario Mantovani \u00e9 diretor de Pol\u00edticas P\u00fablicas da Funda\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 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