{"id":10222,"date":"2014-11-11T11:07:23","date_gmt":"2014-11-11T11:07:23","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=10222"},"modified":"2014-11-11T11:16:18","modified_gmt":"2014-11-11T11:16:18","slug":"especialistas-enfrentam-desafios-herculeos-para-combater-epidemia-de-ebola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/especialistas-enfrentam-desafios-herculeos-para-combater-epidemia-de-ebola\/","title":{"rendered":"Especialistas enfrentam desafios herc\u00faleos para combater epidemia de ebola"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/ebola.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-10223\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/ebola.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Da roupa usada para a prote\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos \u00e0 falta de laborat\u00f3rios credenciados, os desafios para debelar a maior epidemia de ebola da Hist\u00f3ria s\u00e3o herc\u00faleos. Reunidos no encontro anual da Sociedade Americana de Medicina Tropical, na semana passada, em Nova Orleans, alguns dos maiores especialistas de v\u00e1rias partes do mundo listaram as grandes dificuldades que v\u00eam encontrando no combate \u00e0 doen\u00e7a. Acostumados a lidar com surtos pequenos e isolados da letal febre hemorr\u00e1gica (o mais grave at\u00e9 ent\u00e3o foi registrado em 1976, com 280 mortes), os m\u00e9dicos se mostraram despreparados para as dimens\u00f5es dessa epidemia, que j\u00e1 vitimou nada menos que 4.960 pessoas e continua se expandindo, sobretudo em Serra Leoa, Lib\u00e9ria e Guin\u00e9.<\/p>\n<p>Ontem, ali\u00e1s, Serra Leoa anunciou o registro de um n\u00famero recorde de novas infec\u00e7\u00f5es por ebola, mostrando que a epidemia continua fora de controle. O governo confirmou a notifica\u00e7\u00e3o de 121 casos s\u00f3 no domingo &#8211; a maior cifra di\u00e1ria at\u00e9 hoje. Mas o problema seria muito pior. As Na\u00e7\u00f5es Unidas estimam que h\u00e1 uma subnotifica\u00e7\u00e3o de at\u00e9 50%. Embora o ritmo do crescimento tenha diminu\u00eddo na vizinha Lib\u00e9ria, a ONG M\u00e9dicos Sem Fronteiras alertou ontem para a import\u00e2ncia de se manter o trabalho de campo. Os profissionais temem que uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a fa\u00e7a com que os n\u00fameros voltem a disparar.<\/p>\n<p><strong>1. AMPLIAR A LOG\u00cdSTICA<\/strong><\/p>\n<p>Acostumados a lidar com epidemias que atingiam menos de 500 pessoas em regi\u00f5es isoladas da \u00c1frica, profissionais de M\u00e9dicos Sem Fronteiras est\u00e3o tendo dificuldade de adaptar as rotinas de tratamento, rastreamento de casos e preven\u00e7\u00e3o a milhares de pessoas. O padr\u00e3o, at\u00e9 hoje, era montar centros de atendimento com at\u00e9 20 leitos e rastrear todos os contatos do paciente para impedir o alastramento da doen\u00e7a. Agora, j\u00e1 h\u00e1 centros com 250 leitos, e eles s\u00e3o insuficientes. E vem se mostrando imposs\u00edvel acompanhar todos os contatos de milhares de pacientes. Para manter estruturas t\u00e3o grandes, s\u00e3o necess\u00e1rios os mais diferentes profissionais, como, por exemplo, epidemiologistas, infectologistas, antrop\u00f3logos, psic\u00f3logos. Tamb\u00e9m se requerem pessoas para descontaminar casas, realizar enterros de forma segura e transportar amostras, entre v\u00e1rias outras tarefas.<\/p>\n<p><strong>2. LIDAR COM A ROUPA DE PROTE\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Parece um detalhe, quase uma frescura, diante do drama dos pacientes. Mas aquela roupa de prote\u00e7\u00e3o que os especialistas t\u00eam de usar para atender aos doentes sem se infectar \u00e9 extremamente desconfort\u00e1vel. Sob o calor africano, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel trabalhar com ela por, no m\u00e1ximo, uma hora e meia. \u201cO corpo superaquece, e n\u00e3o h\u00e1 como continuar\u201d, contou Armand Spricher, de M\u00e9dicos Sem Fronteiras. Por conta disso, s\u00e3o necess\u00e1rios mais profissionais do que o normal, a fim de que haja um rod\u00edzio.<\/p>\n<p><strong>3. COMPENSAR A FALTA DE PROFISSIONAIS<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 poucos profissionais de sa\u00fade com experi\u00eancia em ebola. Como todos os surtos at\u00e9 hoje haviam sido pequenos, poucos m\u00e9dicos e enfermeiros tiveram um treinamento de campo. A falta de experi\u00eancia pr\u00e1tica pode ser um problema grave no caso de uma doen\u00e7a contagiosa de letalidade t\u00e3o alta. Al\u00e9m disso, n\u00e3o \u00e9 qualquer profissional que aceita trabalhar em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o adversas.<\/p>\n<p><strong>4. ENTENDER A EVOLU\u00c7\u00c3O DA DOEN\u00c7A<\/strong><\/p>\n<p>Os infectologistas reunidos em Nova Orleans deixaram claro o qu\u00e3o pouco se sabe ainda sobre a pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o da febre hemorr\u00e1gica no organismo humano. As hemorragias, por exemplo, s\u00f3 aparecem em 30% dos casos, mas n\u00e3o necessariamente s\u00f3 nos mais graves. Algumas pessoas apresentam manchas na pele; outras, n\u00e3o. As apresenta\u00e7\u00f5es trouxeram mais d\u00favidas do que certezas. \u201cPior do que perder um paciente, \u00e9 n\u00e3o aprender nada com aquela morte para ajudar a salvar os outros\u201d, afirmou William Fisher, da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>5. DEFINIR OS TRATAMENTOS<\/strong><\/p>\n<p>Tampouco h\u00e1 consenso sobre o melhor tratamento. Embora n\u00e3o haja uma terapia espec\u00edfica, h\u00e1 medidas que podem ajudar na recupera\u00e7\u00e3o do paciente. Mas n\u00e3o h\u00e1 consenso. Alguns defendem, por exemplo, a hidrata\u00e7\u00e3o oral (como alternativa mais barata e eficaz). Outros dizem que a intravenosa seria mais eficaz. M\u00e9dicos acreditam que o uso da terapia antiviral gen\u00e9rica poderia ser produtiva, bem como a prescri\u00e7\u00e3o de coagulantes. V\u00e1rios profissionais pedem o tratamento concomitante contra a mal\u00e1ria, para evitar a intera\u00e7\u00e3o das duas doen\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>6. ESTABELECER MODELOS DE TESTE<\/strong><\/p>\n<p>Animais como camundongos, porquinhos da \u00edndia e hamsters n\u00e3o se mostraram muito eficazes como modelo de testes de drogas e vacinas contra o ebola. De acordo com os especialistas, os modelos que se revelaram mais eficazes foram com macacos. Mas h\u00e1 muitas restri\u00e7\u00f5es e implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas ligadas ao uso de primatas em pesquisa.<\/p>\n<p><strong>7. PADRONIZAR AS DROGAS E TERAPIAS<\/strong><\/p>\n<p>Terapias de transfus\u00e3o de sangue e de plasma de pessoas curadas, bem como alguns medicamentos, est\u00e3o sendo usados de forma experimental. Como o n\u00famero de casos ainda \u00e9 muito pequeno, n\u00e3o h\u00e1 ainda nada constatado em definitivo.<\/p>\n<p><strong>8. DESENVOLVER VACINAS<\/strong><\/p>\n<p>Existem atualmente dez produtos sendo desenvolvidos. Dois deles est\u00e3o em est\u00e1gio mais avan\u00e7ado e s\u00e3o baseados no v\u00edrus atenuado. H\u00e1 chances concretas de j\u00e1 termos um imunizante aprovado no ano que vem.<\/p>\n<p><strong>9. COMPREENDER A CULTURA LOCAL<\/strong><\/p>\n<p>Compreender a cultura local \u00e9 crucial para debelar a epidemia. Somente antrop\u00f3logos, por exemplo, foram capazes de entender que a maior fonte de transmiss\u00e3o da doen\u00e7a eram os sepultamentos tradicionais e a manipula\u00e7\u00e3o dos cad\u00e1veres envolvida nesses rituais (com at\u00e9 20% dos casos). A resist\u00eancia aos m\u00e9dicos e a desconfian\u00e7a das unidades de sa\u00fade s\u00e3o outro problema grave.<\/p>\n<p><strong>10. COMBATER O PRECONCEITO<\/strong><\/p>\n<p>O medo e a falta de informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o graves obst\u00e1culos ao tratamento e ao rastreamento de novos casos. Temendo serem discriminadas, as pessoas tendem a se esconder em vez de buscar tratamento \u2014 agravando a dissemina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>11. DRIBLAR A INFRAESTRUTURA RUIM<\/strong><\/p>\n<p>Os pa\u00edses mais atingidos pela epidemia, Serra Leoa, Guin\u00e9 e Lib\u00e9ria, s\u00e3o extremamente pobres e t\u00eam uma infraestrutura de sa\u00fade prec\u00e1ria. Isso contribuiu para a dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e, atualmente, dificulta sua conten\u00e7\u00e3o. Sem condi\u00e7\u00f5es de atingir todos os doentes, aumentou tamb\u00e9m a morte por outras enfermidades, que acabaram ficando sem cuidados.<\/p>\n<p><strong>12. EXPANDIR OS LABORAT\u00d3RIOS<\/strong><\/p>\n<p>Pela precariedade das estruturas de sa\u00fade, faltam laborat\u00f3rios de refer\u00eancia, capazes de fazer o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a rapidamente, atrasando o tratamento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da roupa usada para a prote\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos \u00e0 falta de laborat\u00f3rios credenciados, os desafios<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10223,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/ebola.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/ebola.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/ebola.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/ebola.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/ebola.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/ebola.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/ebola.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/ebola.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/ebola.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/ebola.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Da roupa usada para a prote\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos \u00e0 falta de laborat\u00f3rios credenciados, os desafios","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10222"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10222"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10222\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10223"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}