{"id":10184,"date":"2014-11-10T15:00:48","date_gmt":"2014-11-10T15:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=10184"},"modified":"2014-11-10T13:09:24","modified_gmt":"2014-11-10T13:09:24","slug":"urso-de-oculos-unica-especie-do-animal-na-america-do-sul-esta-em-risco-de-extincao-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/urso-de-oculos-unica-especie-do-animal-na-america-do-sul-esta-em-risco-de-extincao-e\/","title":{"rendered":"Urso de \u00f3culos, \u00fanica esp\u00e9cie do animal na Am\u00e9rica do Sul, est\u00e1 em risco de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/urso_de_oculos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-10185\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/urso_de_oculos.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Nas florestas de nuvens, as cores mudam com a brisa e o vento instiga a curiosidade Al\u00e9m das aves? Que bichos vivem nestas \u00e1rvores?<\/p>\n<p>Nossa equipe vai atr\u00e1s de um mam\u00edfero raro: o urso de \u00f3culos, o \u00fanico urso da Am\u00e9rica do Sul. Entramos na mata. Sabemos que ele mora longe e os perigos est\u00e3o por perto. Em um buraco, uma imagem assusta: uma cobra com a cabe\u00e7a alta, em posi\u00e7\u00e3o de defesa ou ataque. \u00c9 uma variedade da mussurana que vive no Brasil. N\u00e3o \u00e9 venenosa, mas tem fama de mal &#8211; ou de boa &#8211; porque se alimenta de outras cobras.<\/p>\n<p>Comida na floresta \u00e9 assunto s\u00e9rio. Um gafanhoto parece grande demais para o anamb\u00e9, mas nada de desperdi\u00e7ar. A primeira refei\u00e7\u00e3o do dia deve ser refor\u00e7ada. O esquilo encontrou um cacho de tucum\u00e3. Os jacus tamb\u00e9m est\u00e3o de olho nele.<\/p>\n<p>As plantas com frutos s\u00e3o os restaurantes da floresta. Na busca por elas, os bichos se movimentam e at\u00e9 migram ao longo do ano. Uma pista a ser seguida.<\/p>\n<p>Na busca pelo urso de \u00f3culos, o pessoal, a cada passo, vai atr\u00e1s de sinais que a floresta vai dando. O primeiro dos mais importantes \u00e9 o frutinho do aguacatilho. Ele tem gosto de jabuticaba e \u00e9 rico em prote\u00ednas. \u00c9 um \u00f3timo sinal porque o urso costuma ir para o local para comer o aguacatilho e, nesses dias, ele est\u00e1 come\u00e7ando a amadurecer.<\/p>\n<p>Seguimos pela mata. Alcan\u00e7amos o topo de um morro. Arc\u00eanio tem uma estrat\u00e9gia: procura nas \u00e1rvores manchas marrons, que s\u00e3o galhos que os ursos quebram para pegar as frutas. Nossas chances est\u00e3o nelas e nos olhos dele.<\/p>\n<p>Ele nos avisa que, ao longe, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel ver um deles. N\u00f3s estamos a uns 800 metros do urso. E \u00e9 claro, n\u00e3o tem trilha. A gente vai pelo meio do mato e, no fundo do vale, temos que atravessar um rio. \u00c9 mais complicado, mas o \u00e2nimo agora \u00e9 outro, porque pelo menos a gente sabe que o urso est\u00e1 l\u00e1. \u00c9 uma corrida contra o tempo, com obst\u00e1culos. \u00c0s vezes, nem sabemos que rumo tomar.<\/p>\n<p>Toda pressa por medo do bicho ir embora. E surpresa! O urso est\u00e1 dormindo, ou quase, relaxad\u00e3o no galho. As pernas largadas. Ele procura um apoio para a cabe\u00e7a. E n\u00e3o \u00e9 que o bicho dorme?<\/p>\n<p>Temos tempo para esperar. Depois da soneca, desperta para a vida. Ainda est\u00e1 meio sonolento. Como \u00e9 duro recome\u00e7ar o dia. Ele procura o que comer, mas n\u00e3o encontra, ent\u00e3o, d\u00e1 um salto. Agora, cheio de disposi\u00e7\u00e3o, ele usa as garras e sobe atr\u00e1s de frutinhos, o que mais?<\/p>\n<p>Os bra\u00e7os se soltam e ele quase cai. O guia Arcenio Barrera conta que j\u00e1 viu um deles cair: \u201cUma \u00fanica vez. Eu vi um urso comendo em um galho que se desprendeu do tronco e ele caiu com tudo. No outro dia, vi o mesmo urso em outra \u00e1rvore, comendo fruta. N\u00e3o aconteceu nada\u201d.<\/p>\n<p>No topo da \u00e1rvore n\u00e3o falta habilidade. Para se apoiar, o urso distribui o peso do corpo pelos galhos. Age com unha e dentes, dentes primeiro. E come. S\u00f3 pega as frutas maduras. As verdes, deixa para o pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Os ursos s\u00e3o \u00f3timos escaladores. Passam a maior parte do tempo em cima das \u00e1rvores, onde constroem ninhos com galhos. Um adulto mede por volta de um metro e quarenta cent\u00edmetros e pesa entre 90 e 130 quilos. Um bich\u00e3o!<\/p>\n<p>As patas poderosas t\u00eam cinco dedos com garras de at\u00e9 nove cent\u00edmetros. D\u00e1 para encarar? O filhote dela, brincalh\u00e3o, resolve ver o mundo de cabe\u00e7a para baixo. O ursinho \u00e9 a cara da m\u00e3e. As manchas claras no peito e na cabe\u00e7a, \u00e0s vezes, lembram o desenho de um \u00f3culos, da\u00ed o nome, urso de \u00f3culos.<\/p>\n<p>Apesar de ocuparem quase toda a Cordilheira dos Andes, da Venezuela at\u00e9 a Argentina, os ursos sul-americanos est\u00e3o em risco de extin\u00e7\u00e3o. Os cientistas calculam que menos de 20 mil deles ainda vivam em liberdade. Um grandalh\u00e3o que s\u00f3 quer ser deixado em paz.<\/p>\n<p>\u201cQue eu saiba, pessoas eles nunca atacaram. Eu nunca ouvi falar que tenham atacado. Por exemplo, quando se chega muito perto, a\u00ed eles correm quando est\u00e3o no ch\u00e3o\u201d, explica Arcenio.<\/p>\n<p>Depois de passar horas comendo, ele retoma o que os ursos adoram, a soneca. Com o queixinho sobre a pata, para que travesseiro?<\/p>\n<p>Para a idealizadora da reserva, Rebeca Justicia, a presen\u00e7a do urso de \u00f3culos \u00e9 uma grande prova de uma pequena vit\u00f3ria.<br \/>\n\u201cEle \u00e9 muito bonito. O urso de \u00f3culos sempre arranca um \u2018uau\u2019 de quem v\u00ea.\u00a0 Voc\u00ea sabe que este animal precisa de muitos quil\u00f4metros quadrados para viver e encontrar comida. Quando voc\u00ea v\u00ea muitos ursos juntos, aqui, voc\u00ea tem a sensa\u00e7\u00e3o de que conseguiu uma pequena fa\u00e7anha\u201d, diz Rebeca Justicia, presidente executiva da Funda\u00e7\u00e3o Maquipucuna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas florestas de nuvens, as cores mudam com a brisa e o vento instiga a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10185,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/urso_de_oculos.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/urso_de_oculos.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/urso_de_oculos.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/urso_de_oculos.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/urso_de_oculos.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/urso_de_oculos.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/urso_de_oculos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/urso_de_oculos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/urso_de_oculos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/urso_de_oculos.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nas florestas de nuvens, as cores mudam com a brisa e o vento instiga a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10184"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10184"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10184\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10185"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10184"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10184"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10184"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}